Roberta Queiroz

A experiência de 25 anos nas áreas de negócios e vendas ajudou Sérgio Tasca quando assumiu as áreas de TI e telecom da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), há quatro anos. A mudança não foi de repente. Em 1998, Tasca iniciou uma aproximação com a TI da empresa. "Meu primeiro contato foi na implantação do ERP. Trabalhei de perto com programadores e analistas para mostrar o lado do cliente", diz Tasca. Em 2003, seguindo a onda de unir TI e negócios, ele foi convidado para o posto que acupa até hoje. Sérgio Tasca é um exemplo de CIO multiuso. Trata-se daquele executivo preparado para assumir outras áreas e gerir equipes, tarefas e desafios diferentes, além de estar antenado com as estratégias de negócios. O profissional multiuso planeja e coordena bem o tempo, as pessoas e as demandas.

Para administrar e atender as necessidades da TI e da área operacional da Indiana Seguros, o superintendente de informática Reinaldo D'Errico utiliza metade do seu dia para monitorar e controlar os processos operacionais da seguradora, responsável por mais de 300 mil apólices."Esse é um departamento que demanda tempo, porque faz com que a empresa funcione", diz D'Errico. Durante a outra parte do dia, ele comanda 57 pessoas das áreas de tecnologia, segurança, telefonia, help desk e service desk. "Sou como um maestro orquestrando pessoas para alinhar todas as áreas", afirma.

Coordenar projetos e prioridades gera para D'Errico um conflito positivo. "É preciso que todas as equipes entendam as prioridades de cada área. Enquanto processos quer implantar serviços modernos e mais ágeis, segurança avalia se essa demanda é viável. "Aliando todas as áreas fica mais fácil envolver as equipes para que participem da estratégia da empresa", afirma D'Errico. "Os CIOs com uma visão mais abrangente da companhia estão com seus cargos garantidos", diz Edgar D'Andrea, consultor e sócio da PricewaterhouseCoopers. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria, a maioria (55,9%) dos CIOs no Brasil tem origem na área de tecnologia. Mas está aumentando o número de executivos que começaram a carreira em vendas e marketing, estratégia e recursos humanos e que hoje lideram áreas de TI. Em 2006, eram 26,8% do total. Já 17,3% têm origem nos setores financeiro e de produção. A pesquisa entrevistou 168 CIOs brasileiros. "Antes o CIO era o técnico que entendia bem as ferramentas, então não havia espaço para profissionais de outras áreas. Hoje, o importante é ser mais executivo e menos técnico. As companhias estão à procura de CIOs que também conheçam e atuem em outras áreas", afirma D'Andrea. Responsável pelos departamentos financeiro, de suprimentos e de tecnologia da indústria têxtil Teka, Felipe Cavalcanti é um caso de CIO que iniciou a carreira em outra área. Com experiência de 28 anos no mercado financeiro, Cavalcanti construiu sua vida profissional coordenando departamentos de crédito, comercial, financeiro e chegou ao cargo de presidente do maior banco multinacional do Paraguai."Hoje o executivo precisa ser polivalente", afirma. Para Cavalcanti, administrar atividades tão diferentes não é um problema. "Ser responsável pelas áreas de suprimentos e financeira, por exemplo, permite um maior equilíbrio no nosso fluxo de caixa. Assim os processos da empresa ficam mais ágeis e eficazes", diz Cavalcanti, que responde pela compra de suprimentos suficientes para produzir 20 mil toneladas de produtos/ano na Teka. Para administrar tarefas e pessoas de áreas diferentes, Cavalcanti diz que o segredo é montar equipes fortes, com bons líderes. "Com líderes capacitados e motivados, consigo coordenar todas as áreas", afirma.

Segundo o headhunter Benedito Borghi, sócio da Lopes & Borghi Consultores Associados, o conselho de Felipe Cavalcanti deveria ser seguido por todos os executivos de TI."O CIO multitarefa precisa ter a habilidade de construir equipes vencedoras, que tocam as coisas sem o chefe", diz Borghi.Experiência

Mais do que fazer MBAs e pós-graduações, para se tornar um CIO multiuso é necessário conquistar experiência. "O executivo deve desenhar sua carreira ocupando cargos diferentes nas empresas onde passa", afirma Edgar D'Andrea. Sérgio Tasca, da Cemig, participou de um programa de job rotation na companhia e realizou trabalhos em conjunto com os profissionais de TI. Conheceu e participou dos processos, projetos e dificuldades da TI antes de fazer parte da área. "Ter feito uma aproximação antes ajudou no desafio de coordenar as áreas de TI e telecom", afirma. Assumir a área de telecomunicações não foi uma novidade. "As empresas estão mudando o conceito para tecnologia da informação e comunicação (ITC). Mesmo exigindo equipes diferentes, com ferramentas e tecnologias diferentes, as duas áreas estão bastante interligadas", afirma Tasca. Os exemplos de profissionais bem-sucedidos mostram que atuar em diversos departamentos pode trazer uma visão mais ampla e eficiente para o CIO. Além disso, apostar nesse perfil abrirá mais oportunidades para expandir a carreira. E então? Preparado para ser um CIO multiuso? 

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