Quanto vale um CIO?


Pesquisa feita por Info CORPORATE mostra que os salários dos diretores de TI estão em ascensão e que o bônus anual pode alcançar até 6 salários. Conheça as tendências principais de remuneração

por Katia Militello e Luana Pavani*

O administrador de empresas Rubens Nascimento Pinto não tem do que reclamar quando o assunto é salário. Diretor de TI da indústria farmacêutica de origem alemã Boehringer Ingelheim, Nascimento Pinto teve aumentos periódicos nos últimos dois anos. Além dos 13 salários regulares, com a remuneração variável ele pode aumentar seus vencimentos em 45% no ano, se ultrapassar as metas. Dos seis objetivos individuais que tem a cumprir neste ano, só dois são de gestão da TI. Os outros estão relacionados a aumento de vendas, suporte à marca e melhorias de processos para as áreas usuárias. Com 46 anos e há seis na Boehringer, Nascimento Pinto é um profissional de tecnologia valorizado porque aprendeu a ter uma visão mais ampla da companhia. "Os colegas que não acompanharam esse movimento de alinhamento estratégico da TI perderam espaço", afirma. Para os CIOs que, como Nascimento Pinto, extrapolaram as funções técnicas, conquistaram visão de negócios e foco nos resultados financeiros, a boa notícia é que os salários tendem a ganhar um bom upgrade, principalmente a remuneração variável.

Uma pesquisa realizada por Info CORPORATE com a ajuda dos grupos estruturados de CIOs de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além dos grandes bancos, mostra que 73% dos diretores de tecnologia brasileiros ganham entre 25 mil e 40 mil reais por mês; sendo que quase 41% estão na faixa de 40 mil reais. Pouco mais de 20% recebem entre 15 mil e 20 mil reais e um seleto grupo de 6% ultrapassa o patamar de 60 mil reais mensais.
Nos últimos três anos, 76,4% dos CIOs brasileiros tiveram aumento de salário entre 5% e 20%, e 49% disseram que o peso da remuneração variável também cresceu. O ganho mensal dos diretores de TI é complementado por bônus cada vez mais gordos. Dos 92 CIOs que responderam à pesquisa, no início de julho, 80% recebem entre cinco e seis salários anuais de bônus, vinculados, na maioria, ao cumprimento das metas financeiras da empresa. Apenas 7,3% têm a remuneração variável atrelada a metas de TI, embora 25,8% relacionem os ganhos adicionais ao cumprimento do orçamento e prazos dos projetos de TI. No mundo, a evolução do salário dos executivos de tecnologia não é diferente. "Em 14 anos de pesquisas, nunca vi cair a remuneração do CIO. Ela é sempre crescente", disse à Info CORPORATE David Foote, CEO da Foote Partners, empresa que publica dados de salários e certificações de TI nos Estados Unidos. Segundo Foote, 2007 está sendo um bom ano para o bolso dos líderes de TI, que cada vez mais têm assumido responsabilidades como COO (Chief Operating Officer). "É um trabalho duro ser CIO na economia global. Cerca de 40% dos CIOs de nossa base têm responsabilidades de operações, junto com as obrigações de TI", afirma. Mas à medida que os CIOs ganham visibilidade na estrutura das corporações e melhores salários, cresce também a pressão por resultados. Se há três anos a remuneração variável não era parcela significativa dos ganhos, hoje já significa um terço dos ganhos totais. "O Brasil é um dos países onde a remuneração variável é mais agressiva na área de TI. Em bancos de investimento, a composição do salário do CIO chega a ser 50% fixo e 50% variável", diz Marcelo Alfieri, consultor sênior da Mercer, consultoria especializada em
carreira executiva.

Menor oferta
Além do pagamento de bônus, as empresas devem reforçar a distribuição de ações e os incentivos de longo prazo, em ciclos de três a cinco anos. Segundo Alfieri, a carreira está evoluindo e a tendência é que, assim como nos grandes bancos, o CIO responda ao CEO. "A cobrança por resultados e a pressão por corte de custos fazem parte do dia-a-dia de todo executivo. No caso do CIO, a responsabilidade é grande, pois na era do conhecimento é ele quem disponibiliza as informações de apoio às decisões de negócios", diz Alfieri. Embora os ganhos sejam mais altos no setor financeiro, as oportunidades para os CIOs de bancos estão diminuindo, devido ao movimento global de fusões e aquisições. "Já há dificuldade de recolocação para esses CIOs, embora sejam profissionais de altíssima competência", afirma Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, diretor executivo de TI do ABN Amro Real. Para aqueles que conquistaram seu espaço nos grandes bancos, a tendência é de aumento do salário. Segundo Corrêa da Fonseca, a remuneração variável no mercado financeiro será cada vez mais agressiva, vinculada a resultados, como reflexo do desempenho do banco. Outros setores também caminham nessa direção, como mostra a pesquisa de Info CORPORATE: 65,8% dos CIOs disseram que têm metas financeiras a cumprir e apenas 7,3% elencaram metas de TI. É o que acontece na indústria de eletrodomésticos de origem alemã BSH Continental. O bônus de Edgar Marçon, diretor de TI para América Latina da empresa, está 70% vinculado aos resultados da companhia. As metas de TI representam 30% da remuneração variável, que, em anos de muito bom desempenho, pode chegar a cinco salários. No final do ano passado, a BSH realizou, pela primeira vez, um workshop com todos os diretores da América Latina para fechar um plano comum de metas."Antes a definição era feita pela direção. Agora as metas são negociadas pelos diretores em conjunto", afirma Marçon. A tendência com essa política é de a empresa funcionar de forma mais sintonizada.

No começo da década, segundo Benedito Borghi, da consultoria de RH Lopes & Borghi, eram poucos os CIOs com perfil estratégico e, por isso, seus salários dobravam quando trocavam de empresa."Hoje o mercado está mais estável e as mudanças acontecem com ofertas de aumento de 20% a 40%", afirma Borghi.
Os setores mais quentes para o CIO hoje são os de construção civil, petroquímica, serviços e a indústria sucroalcooleira, que se preparam para uma onda de contratações para crescer. "As empresas vêm buscando profissionais com expertise nesses segmentos para fazer frente ao momento atual de crescimento da economia brasileira", afirma Marcelo Cardoso, presidente da empresa de outplacement, coaching e gestão de carreira DBM Brasil.

CFO ganha 20% mais

Embora seja chavão bater na tecla da TI alinhada aos negócios, ainda são poucos os profissionais com esse perfil no mercado brasileiro. Apenas um seleto grupo de CIOs chega ao primeiro nível de decisão em empresas movidas por tecnologia, como as do setor financeiro e de telecom. Executivos de TI dessas áreas geralmente se reportam ao CEO, têm bônus polpudos, entre 18 e 24 salários adicionais, pagos na virada do semestre e no final do ano. Ganham por mês mais de 60 mil reais, como mostra a pesquisa da Info CORPORATE. "O mercado de TI está aquecido, por isso a contratação de CIOs parte de um patamar superior de remuneração. Mas isso é momentâneo, porque CIO em primeiro nível de diretoria ainda é raro fora do setor financeiro", afirma Marcelo Braga, sócio da Search Consultoria em Recursos Humanos.

Além de ser alçado ao primeiro time da organização quando ganhou o título de chief, o CIO entrou na rota de remuneração equivalente à dos colegas do chamado C level. O caminho natural será de equiparação, conforme o setor de atividade e o organograma da companhia. "Se tecnologia é core para a estratégia de negócios, não há motivo para uma diferença de remuneração em relação a outras áreas-chave da empresa", afirma Aline Zimermann, sócia da Fesa, empresa de recrutamento e seleção de executivos.

Levantamento feito pela consultoria Watson Wyatt com 134 empresas brasileiras e multinacionais de grande porte mostra que o CIO ganha cerca de 20% menos que o CFO (Chief Financial Officer) e quase o mesmo que o diretor de marketing. Com uma ordem de grandeza de 100, relativa a salário mais bônus do profissional de tecnologia, a pesquisa demonstra que os ganhos do diretor de marketing ficam em torno de 106, ou seja, 6% acima dos do CIO. Para Marcos Morales, diretor de capital humano da Watson Wyatt, a distância entre os salários era muito maior há alguns anos.

Fonte: http://info.abril.com.br/corporate/edicoes/47/conteudo_245815.shtml